Na vida do Reino não existe violência doméstica

Photo by Nadine Shaabana on Unsplash

Por Samuel Mendes

Introdução: Nestes últimos 2 anos, o número de casos de violência doméstica disparou contra mulheres e crianças. Este é um problema muito sério que afeta a nossa sociedade e também envolve a igreja. Em casos atendidos numa organização em São Paulo, estudos mostraram que 40% das mulheres atendidas se disseram evangélicas.

Violência doméstica consiste em um padrão perigoso de comportamento usado para dominar e controlar outra pessoa em um relacionamento íntimo. Isso pode incluir intimidação, coerção, ameaças, violência física, perseguição, assédio e abuso sexual maioritariamente a mulheres, crianças e maus tratos a idosos.

A Bíblia afirma: “Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade. 16 “Eu odeio o divórcio”, diz o SENHOR, o Deus de Israel, e também odeio homem que se cobre de violência (ou na variante textual*, que “cobre a sua mulher de violência”) como se cobre de roupas, diz o SENHOR dos Exércitos. Por isso, tenham bom senso; não sejam infiéis.” Malaquias 2:15b-16 NVI * Nota 2.16 NVI

Qualquer que seja o abuso, um fio comum liga a vítima a todas as outras vítimas, sentindo-se impotente. Para os abusados, este fio é muitas vezes percebido como um vínculo inquebrável. A vítima vive com um senso de impotência muito tempo.

O abuso acontece de diversas formas:

o abuso verbal, o abuso físico e o abuso sexual. Se você tiver sido abusado verbalmente, determinada pessoa cujas palavras deveriam ter sido úteis e gentis, ao contrário, humilharam-no e atacaram-no. Se tiver sido abusado fisicamente, determinada pessoa (talvez, um dos pais ou outra pessoa com autoridade) o atacou e o machucou. Se tiver sido abusado sexualmente, seja como for, você foi abusada(o), e o que lhe aconteceu foi algo mau, pecaram contra você! E, agora, você está sofrendo. Deus está atento ao seu sofrimento e conhece a sua dor.

São exemplos de Situações de Violência:

1. Humilhar, xingar e diminuir a autoestima do outro : Condutas como humilhação e desvalorização moral em relação a mulher constam como tipos de violência verbal e emocional.

2. Controlar e oprimir a mulher: É o comportamento obsessivo do homem sobre a mulher, como querer controlar o que ela faz, controlar o que ela vestirá, não a deixar sair, isolar sua família e amigos ou procurar mensagens no celular ou e-mail. É violência psicológica.

3. Atirar objetos, sacudir e apertar os braços: Nem toda violência física é o espancamento. São considerados também como abuso físico e agressão na forma de ameaça a tentativa de arremessar objetos com a intenção de machucar, sacudir e segurar com força uma mulher. É violência emocional!

4. Forçar atos sexuais: Contra a vontade e disposição da outra pessoa é desrespeito e violência física e emocional.

5. Controlar o dinheiro de forma opressiva: Se o homem tenta controlar, guardar ou tirar o dinheiro de uma mulher, contra a sua vontade, sem a participação dela nas decisões, ou no caso de idosos, contraindo empréstimos em seus nomes ou desviando os seus recursos, isso é considerado uma forma de violência patrimonial.

A violência doméstica em seus diversos aspectos, seja físico, verbal, emocional é contrária à vontade de Deus e condenada pelas escrituras. Se você já viveu ou vive uma situação de abuso saiba que há esperança. Mais do que viver com sentimento de culpa, há um caminho de cura e perdão com a ajuda de Deus.

As Séries e a Abordagem do Tema:

Várias séries têm abordado o tema da violência doméstica e relações abusivas, são exemplos disso:

- Big Little Lies ( Pequenas Grandes Mentiras) da HBO, de 2018, mostra como o abuso não escolhe classe social e como é tolerada na sociedade e ocultada como um tema do qual não se pode falar… As próprias famílias encobrem o assunto e evitam expor agressores. Um grupo de mulheres que parecem viver vidas normais na cidade Monterey (Califórnia), quando na verdade cada uma delas esconde pequenas grandes mentiras, que envolvem questões que vão desde traição até violência doméstica e abuso sexual. Nicole Kidman, é uma mulher que luta com abusos e violência doméstica e que expõe uma forma de doença que afeta as vítimas. Como relacionamentos abusivos funcionam se perpetuam por meses ou mesmo anos.

Na história, o marido é um homem muito bem-sucedido, um pai amoroso e, aparentemente, um ótimo companheiro. Mas nem tudo é perfeito, muito pelo contrário. À medida que a história se desenrola, as marcas de um relacionamento abusivo aparecem aos poucos. Num dia, ele impôe que ela deixe de trabalhar para cuidar dos filhos; no outro, em uma explosão de raiva, ele aperta seu braço forte demais; no dia seguinte, o apertão se transforma em um tapa na cara, que se transforma em um empurrão, que se transforma em um soco e finalmente numa surra que deixa grandes marcas e vai tomando proporções cada vez mais destruidoras.

- Outra série é Maid (empregada) Netflix, 2021 que mostra a questão, atravessada por várias outras teias que nos revelam como é difícil romper com o abuso. Numa das falas marcantes no abrigo para mulheres vítimas de abuso, ouvimos: “as mulheres abusadas, espancadas voltam a seus maridos abusadores, espancadores. Voltam uma vez, duas, três, várias vezes.” Voltam porque é dificílimo romper com as amarras, mudar a vida, recomeçar — por uma quantidade imensa de motivos. Maid envolve o espectador nas dificuldades terríveis que uma jovem garota, Alex tem que enfrentar.

Baseada numa história real que deu origem a um livro autobiográfico da autora Stephanie Land a série introduz-nos a um casal mal saído da adolescência, de famílias inteiramente disfuncionais. Criando uma criança com muita dificuldade e quase sem recursos, ao contrário do universo de Big Little Lies, a série lembra-nos que tanto nos EUA como no Brasil, a violência doméstica está presente em todas as classes sociais, bairros e origens… O que a série nos mostra é que tanto o marido quanto o pai de Alex, não são propriamente monstros. No fundo, são até boas pessoas. O que os torna abusadores é o vício, o álcool. O que transforma em monstros pessoas no fundo boas, é muitas vezes a influência do meio em que cresceram, a própria família e o abuso que receberam…

Alex, impotente é engolida pelo sofá no qual desabou e do qual não tem forças para se levantar. Maid é sobre abuso. Nem físico, nem sexual. Ela sofre abuso psicológico. É sobre a violência emocional que acontece entre pessoas do círculo íntimo. Dentro da família e dentro de casamentos e famílias, quer aparentem disfunções, quer não… É sobre feridas que não ficam visíveis através de hematomas. Que são abertas na alma e se aprofundam lentamente, dia após dia. Não cicatrizam, acomodam-se, absorvem-se como se isso fosse normal e parte da vida.

O abuso emocional é a consequência invisível de todas as outras formas de abuso — física, mental, verbal, sexual e espiritual. Tal abuso atinge a alma, diminuindo nosso senso de valor e esmaga a nossa confiança.

Explicando Melhor Algumas Tipos de Abuso:

Abuso emocional ou maus tratos psicológicos são comportamentos contínuos e negativos usados para controlar ou ferir outra pessoa. Após longos períodos de abuso emocional, muitas vítimas perdem a esperança, sentindo que a vida não vale a pena viver. Pode ser na forma passiva-agressiva — um meio de controle ou de outras formas. Esses abusadores expressam sua raiva através de comportamentos não ativos e secretos. Para ganhar o controle em um relacionamento, eles muitas vezes usam a manipulação para alcançar o que querem. Além desta, o abuso verbal é outra forma muito recorrente de abuso emocional e a mais comum. Como um lenhador com o seu machado, cortando repetidamente o mesmo local até que a árvore alta caia.

Abuso infantil acontece quando uma criança é vítima de maus tratos, de abusos que a impedem de crescer e desenvolver-se de forma saudável, num ambiente seguro onde receba apoio emocional, carinho e amor no ambiente de uma família. O dano tem tentáculos de longo alcance que podem estrangular a vida de uma criança. Nada fere mais o coração de uma criança do que o abuso e a ausência de amor.

Outra forma de violência é o Abuso Espiritual: são os maus tratos de uma pessoa por alguém em uma posição de autoridade espiritual, diminuindo ou impedindo o crescimento dessa pessoa. No cerne do abuso espiritual está o controle excessivo dos outros, como líderes religiosos, pessoas religiosas que exercem influência sobre outras pessoas que usam a manipulação para usar a culpa como principal instrumento. Seja para fazer as pessoas darem mais dinheiro, tirar vantagem emocional, acusação daqueles que discordam deles de serem rebeldes contra Deus fazendo o uso indevido das Escrituras, etc…

As vítimas e a falsa culpa:

Por que as vítimas muitas vezes se sentem culpadas? Há uma emoção associada ao abuso de esposas, de crianças… Essa emoção é falsa culpa. Engana uma mulher a acreditar que os hematomas, os cortes, as violações… realmente é tudo culpa dela … não dele! É a mudança de culpa pelo marido que afirma que suas ações abusivas são o resultado dos erros de sua esposa pode levá-la a formar uma “falsa mentalidade de culpa” se ela acreditar em suas mentiras e aceitar a responsabilidade por seus atos abusivos. É a criança que vive o conflito entre respeitar o pai, o padrasto, um familiar que abusa, e o denunciar o que ele(a) não compreende… É a família que silencia as dores da criança para “proteger” o abusador. Todas estas são formas doentias e erradas de cumplicidade com o pecado que destrói e mata lentamente as vítimas com a falsa culpa e com a desesperança.

Pr. Samuel Mendes

Leia mais sobre o que a Bíblia diz sobre a violência pensando na família e nas relações humanas na 2 ª parte da mensagem.

Se vc quer conversar ou obter apoio poderá enviar um email para pastoreio@ibmorumbi.com.br.

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